segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A Caminho da Felicidade!

A Caminho da Felicidade!

Nossa aventura começou cedinho, ganhamos a estrada no pequeno lindo golzinho vermelho que nos conduziria pelas  longas estradas mato grossenses onde atravessaríamos lindas paisagens, em grandes aventuras jamais esquecidas.

Por vezes a chuva inundava o caminho, outras o sol nos brindava com sua presença, depois de alguns quilômetros  o primeiro obstáculo do caminho. Um caminhoneiro imprudente depois de beber derrubou o caminhão na beira da pequena ponte de ferro.  Os caminheiros em protesto  atravessaram caminhões na pista para impedir que os carros pequenos  passasem.

 Depois de boa conversa o coração comovido removeu o primeiro obstáculo e com cuidado, paciência e persistência passamos pelas pequenas brechas abertas ao lado dos enormes caminhões.

Ganhamos mais uma vez a estrada passando pelas pequenas, mas lindas cidades primeiro no Pará e depois de algumas poucas horas lá estávamos nós de volta as terras Matogosensses  que a muito tempo  havíamos deixado para trás não sem sentir a emoção do regresso.

Paramos na pequena cidade de Santo Antonio do Xingu  agora cortada pelo lindo e novo asfalto construído a pouco, o progresso aos poucos invade os sertões  daquele lugar, nossos olhos brilhavam e pasmávamos ao ver como aquele lugar estava mudado, lindo e diferente. Dormimos ali o sono dos justos para preparar nosso corpo,mente e coração para as surpresas do dia seguinte.

Acordamos cedinho, depois de um delicioso café colocamos o pé na estrada outra vez. Como estavam lindas as cidades que outrora apenas cortavam estradas de chão e atoleiros ou poeira agora surgiam imponentes rodeadas de asfalto por todos os lados, nos maravilhamos com as mudanças que víamos.

Mas também sentimos imensa tristeza ao chegarmos a um lugar que conhecíamos como posto da mata. Por questões indígenas o vilarejo havia sido destruído. Avistamos as paredes que foram derrubadas por maquinas cruéis e potentes, o posto antes imponente agora  abandonado parecia cenário de filme de terror, em algumas residência em destroços  ainda se via o que foi uma televisão , um sofá etc.  Ali havia vivido e construído suas vidas pessoas por muitos anos creio que mais de vinte, quem poderia saber o destino dos moradores enxotados sem dó nem piedade? O silencio do lugar fazia congelar o coração. Eu perguntava a mim mesma o que é o coração do homem? No meu silencio eu me indagava a respeito da verdadeira justiça, o que significa a verdadeira autoridade.... a cena trás á tona muita reflexão e milhões de perguntas sem resposta se instalaram em meu coração...cena que prefiro relegar ao esquecimento.

Depois dos obstáculos do caminho e da beleza da paisagem ao anoitecer chegamos a pequena cidade de Ribeirão Cascalheira destino da minha viajem. Lá estava eu de volta em frente ao portão que há quase dois anos atrás deu novo curso a minha história. Fui recebida por meu sobrinho, ainda adolescente ele havia sido meu companheirinho em dias  tristes e difíceis e lá estava ele  com seu bondoso coração para abrir-me a porta outra vez. Me senti como se tivesse voltado ao lar. Os costumes da família do meu irmão caçula em muito se parecem com coisas que recordam minha mãe, depois de um delicioso lanche pude descansar tranquila acalmando meu coração da emoção de estar ali fruto de um grande milagre de Deus.

A um mês eu havia feito uma curta, talvez quase desesperada oração relâmpago: Deus me leva para o Mato Grosso, não me deixe passar o final do ano aqui sozinha, sem nenhum dinheiro, sem nenhuma condição, contrariando toda a lógica lá estava eu levada pelo puro e simples milagre do céu. Tudo fruto do trabalho de um Deus que sabe me maravilhar.

Cedinho  meu sobrinho foi ao banco onde trabalha para mais um meio dia de trabalho antes do natal. Aproveitei para arrumar algumas coisas e me preparar para encontrar o restante da família na chácara onde passaríamos o natal.  Ao meio dia minha sobrinha chegou feliz e cheia de expectativas da linda cidade de Água Boa onde ela mora para trabalhar.

Aos poucos carregamos as compras e a lista de material de objetos para a festa de natal na camioneta e partimos, eram vinte cinco kilometros de boa conversa, riso, recordações , comunhão... o celular tocou. Estamos com fome, o almoço está pronto ! olha a hora, cadê vocês.... ah ah estamos quase... quase chegando... tudo era festa .. pressa pra que? se nosso objetivo era apenas desfrutar tranquilamente da felicidades que a vida ora nos oferecia.

Chegamos!!! Desci da camioneta deslumbrada... mal podia  crer no que via!

A enorme cabana com a cerâmica xadrez que revestia a chão exibiam sua beleza por entre as verdes paredes pintadas a pouco. Em baixo dos lindos pés de mangueira em frente a fina brita dava um aspecto de profunda limpeza ao local.A enorme represa  deitada tranquila entre as árvores nativas fazia parte do espetáculo que desfilava aos meus olhos. Patos selvagens já mansos nadavam tranquilamente sobre as águas. Os peixes moviam a água como que fazedo com que elas dançassem.

Saindo da brita chegava-se a um enorme pátio cimentado cheio de sombra de frondosas árvores nativas enfeitado com lindas mesinhas de madeira com banquinhos preparados para que o visitante pudesse apreciar aquele pequeno paraíso feito por Deus e pelo bom gosto e muito trabalho da família do meu irmão caçula.

Na varanda dos fundos podia-se ver um enorme e lindo fogão caipira revestido de lindos tijolos de cerâmica com um forno anexo, em frente uma mesa e uma churrasqueira... Duas lindas e grandes pias, uma de cada lado permitiam o bom preparo dos alimentos e a fácil higienização do local. A água descia direto da fonte e escoria montanha abaixo pelos canos direta para as torneiras,  limpa e abundante.

A pequena mas confortável casa com quarto com duas beliches , quarto de casal uma enorme cozinha equipada com geladeira, frízer e utensílios domésticos davam conforto ao lugar.

No banheiro o chuveiro derramava água morna em abundância, um enorme espelho na saída dava seu ar de graça ao local para que pudéssemos ver nosso rosto refletido com o brilho da felicidade que o local nos proporcionava.... era uma verdadeira pousada onde era possível descansar o corpo, a cabeça  o coração e a alma cansada pelas lutas do ano vivido.

No fogão a lenha o fogo ardia vinte quatro horas por dia símbolo do amor e da comunhão que reinava calmo ,sereno e tranquilo no lugar. Jogar conversa fora... rir de tudo e de nada... nos assustar e deliciar com os sustos que eram intencionalmente preparados pela arte dos meus sobrinhos e do pai ainda criança com bombinhas que vez por outras eram estouradas escondidas só pra agitar o lugar com largos sorriso e comentários... éramos todos crianças... crescer pra que??? Nada precisava ser sério naquele paraíso.

Nossa noite de véspera de natal não teve grande ceia... desfrutamos de um saboroso caldo de feijão preparado com salame tipo gaucho, tomamos chimarrão no fresquinho ambiente  em que a garoa calma nos presenteava fazendo coro com a paz do lugar.... a conversa agradável desfilava  emprestando uma alegria indescritível... dormimos o sono dos justos!

No dia seguinte levantamos e depois do café tranquilamente todo nos empenhamos para preparar a linda e deliciosa mesa da Ceia do natal. Acho que foi o amor.... o resultado surpreendeu. Era uma mesa linda... muito linda. Tudo parecia conspirar a nosso favor. Acho que a beleza , a alegria, a harmonia do lugar era tamanha que foram preparados nove lugares, mas na verdade éramos sete.... acho que dois visitantes desconhecidos deveriam estar ali para participar do banquete... mas eles não chegaram... era puro equivoco de quem contou os participantes... mas se eles tivessem chegado tenho certeza que ficariam deslumbrados.

A tarde caiu uma chuva repentina...  para que o sol brilhasse e trouxesse dois lindos arco íris, só para Deus nos lembrar da aliança que tem conosco. No chalé as redes para o descanso estavam estendidas. Depois do  cochilo colhemos mangas fresquinhas nos pé que ficavam ali pertinho... sentamos ... a grama verde do campo de futebol emprestava seu ar de esperança e os dois arco iris multicores enfeitavam o céu...

Alguns aventureiros se habilitavam em jogar o anzol na represa... diziam que os peixes eram ariscos mas quatro deles  foram parar na frigideira sobre o fogão a lenha e foram deliciados em plena tarde  pelos pescadores que  sentados calmamente nas mesinhas de madeira em frente a represa os saborearam rsss.. Havia muitos peixinhos! Os filhotes eram jogados e alimentados todos os dias só para fazer a festa dos visitantes!

Quem dera que o tempo parasse... mas não parou... Ele se foi... não sem deixar uma imensa, enorme saudades ... e boas lindas lembranças essas que agora me permitem dedilhar as teclas só para espalhar ao mundo pelos imensos satélites a felicidade que o grande milagre de Deus proporcionou em um dos mais lindos natais da minha vida adulta... o natal preparado diretamente do céu e enviado em forma de um grande e maravilhoso presente nesse final do ano cheio de lutas... dificuldades e provações ... mas não sem que Deus fechasse com chave de ouro só para lembrar seu grande poder , amor, e imenso cuidado por minha vida.

Como terminar sem falar do Deus que sabe me maravilhar?

Pode rir ou chorar, mas dessa vez com certeza de emoção pelas grandes coisas que Deus fez e faz..por tudo que Ele tem feito e por tudo que vai fazer aqui estou só para agradecer..pra Sempre e Sempre!!!

 

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